Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Capítulo 3 - Queimada

Olá (:

Mais uma vez, muito obrigado por todo o apoio que temos recebido, ajuda-nos realmente a prosseguir com isto.

Este capítulo é da ~ mia, espero que gostem.

 

 

Lylith Marie Johanson:


Não havia espaço para pensar – disso estava absolutamente certa.

No meio de tanta dor, no meio de tanta mágoa, no meio de tanto fogo, não havia espaço na minha cabeça para pensamentos que não se centrassem única e exclusivamente no sofrimento de que o meu interior era alvo.

As minhas defesas naturais uniam-se contra um inimigo em comum, um inimigo mais negro que a penumbra, mais horrível, mais descarado, mais violento.

Mais forte.

Não havia escapatória possível e essa era também uma das poucas certezas que me restavam.

Dentro de mim pulsava um tumulto frenético e doloroso, com a força dos raios de uma tempestade.

Sentia que me rasgavam por dentro, que me dilaceravam a partir do meu interior, interior esse que havia sido invadido sem a minha permissão e que era agora arranhado, vandalizado, ao ponto de nem eu própria me reconhecer.

A dor era tão forte, tão pungente e pontiaguda que nem forças para gritar conseguia encontrar algures dentro de mim.

Nem sequer me conseguia lembrar de como se falava, gemia ou suspirava.

O sangue saltava nas minhas veias, agitava-se em convulsões frenéticas e avassaladoras, tentando encontrar escapatória para a lava com que se viam misturadas.

Veneno.

Não o via, mas sentia-o.

Sentia-o no meu corpo, nas minhas artérias, a embrenhar-se nos meus órgãos e a sacudir as minhas entranhas.

Instalara-se dentro de mim como um vírus e propagara-se tão rapidamente como uma peste.

E queimava.

Queimava como fogo, queimava como o sol regado com gasolina e atiçado com um fósforo.

Toda eu deveria estar carbonizada por fora, um verdadeiro pedaço de carvão negro.

Eu estava em chamas, a queimar de dentro para fora.

E a lava continuava a espalhar-se pelo meu corpo, derretendo tudo por onde passava.

Fazia-o de uma forma doentia, embrulhando cada centímetro de mim com os seus braços asquerosos e ondulantes.

Conseguia entender que o seu objectivo principal era o coração, o único órgão que ainda funcionava, que ainda batia, mais sonoramente do que o normal.

Conseguia ouvir a minha pulsação acelarada junto aos ouvidos que queimavam a compasso com o resto do corpo.

O meu coração não estava protegido contra aquele perigo, que acabaria por atingi-lo, mais cedo ou mais tarde.

Sentia aquele veneno rastejante arrastar-se em direcção ao órgão que controlava todas as minhas veias e bombeava o sangue na direcção das artérias.

Preferia que lhe dessem uma facada violenta, cinquenta facadas se fosse necessário. Tudo menos ter de sentir aquela lava nojenta afagá-lo calmamente enquanto ele batia, batia descompassadamente quase ao ponto de saltar do peito.

Até isso era preferível.

No entanto, antes que o meu pobre e fragilizado coração conseguisse escapar ou parar por si próprio, foi envolvido pela película espessa e desnorteantemente quente que já queimara todo o meu corpo.

O ritmo dos batimentos foi diminuindo, diminuindo, diminuindo…as três últimas batidas foram compassadas, rígidas e torturadas.

Um, dois…três.

Três.

A pulsação parou de ressoar insistentemente aos meus ouvidos e soube que a minha vida tinha chegado ao fim no momento em que a dor desnorteante acalmou, ao ponto de parar por completo de me atormentar.

Finalmente um pouco de paz.

 

publicado por marianne goulart às 10:08
link | comentar |
16 comentários:
De Rita. a 26 de Outubro de 2010 às 15:27
estou a amar :)
De summer wright a 26 de Outubro de 2010 às 15:50
A tua descrição faz com que se consiga realmente "ver" como tudo aconteceu.
De Katerina K. a 26 de Outubro de 2010 às 17:07
Evoluíste imenso, minha Mariana.
De -MP a 26 de Outubro de 2010 às 19:10
LOVE IT +.+
A descrição de dor está tão perfeita... tão real O:
De -MP a 26 de Outubro de 2010 às 19:10
PS: Mas isso já era de esperar com as tuas incríveis, perfeitas e maravilhosas qualidades literárias, mor *.*
De White Lily a 26 de Outubro de 2010 às 19:52
Adorei mesmo vocês as duas estão mesmo de parabens
Li agora tudinho :)
Kisses
De Cris. a 26 de Outubro de 2010 às 20:56
adorei! pow, adorei mesmo!
a escrita está fantástica, e a história é maravilhosa.
é viciante ao ponto de querer-mos ler mais e mais e não parar.
bom trabalho meninas :)
De Cris. a 26 de Outubro de 2010 às 20:56
já agora, este capitulo foi direito para os meus favoritos.
De Drica a 26 de Outubro de 2010 às 21:49
Mia e Ccullen...os meus masi sinceros parabéns...
Esta descrição da transformação dela está cinco estrelas ...se não forem dez :)
Adorei...pefeito...e mágico...
Fenomenástico
Maravilhástico
Bonindo (bonito + lindo)
Quero mais :)

Beijos queridas
De Ana a 26 de Outubro de 2010 às 22:00
Oláaa!!!!!!

Está tão perfeito! Tão real! Até a mim me doía... x)
Estou mesmo a adorar. Os capítulos é que são tão pequeninos... :x não podem ser um bocadinho maiores? É que acabam e fico sempre com vontade de mais!!! :p


Beijinhos GRANDES,
Ana :D

Comentar post